Em defesa da USP

Caros colegas, amigos e internautas

 

Segue abaixo link de manuscrito escrito a muitas mãos, pelos docentes mobilizados em agosto de 2014, do Instituto de Biociências da USP (São Paulo), em defesa de uma USP democrática, pública, gratuita e de qualidade.

 

http://cientificando.wordpress.com/

 

Cordiais saudações

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 16h18
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Elevadas concentrações de metais pesados no sedimento do rio Tietê e nas represas da região metropolitana de São Paulo (braço Rio Grande – Complexo Billings e Guarapiranga)

Em recente matéria publicada na Folha (28/08/2010) o prof. Jefferson Mortatti (Cena - Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP) comentou que há grande quantidade de metais no sedimento do rio Tietê, mesmo em locais aparentemente limpos e bem distantes da região metropolitana de São Paulo. Seus dados apontam que para o cobre suas concentrações podem atingir duas vezes o valor referência para indicar altos níveis de toxicidade. As pesquisas desenvolvidas pelo Laboratório de Limnologia, coordenado pelo prof. Marcelo Pompêo (Depto. de Ecologia, Instituto de Biociências da USP), analisando sedimento de represas da região metropolitana de São Paulo também demonstraram elevados teores de metais no sedimento dessas represas.

            Em 2006, Carolina Fiorillo Mariani empregando os mesmos critérios de referência utilizados pelo prof. Mortetti, elaborados pelo Conselho Canadense de Meio Ambiente, demonstrou que os teores de cobre e de chumbo presentes no sedimento do braço Rio Grande (Complexo Billings) foram da ordem de 9 e 8 vezes, respectivamente, o valor máximo para indicar toxicidade. Paula Regina Padial (PPG Ecologia, USP, IB, Depto. de Ecologia) trabalhando na represa Guarapiranga mostrou que há forte compartimentalização do sedimento nessa represa, com maiores teores de metais no sedimento do compartimento próximo à barragem e do sistema de captação de água bruta da Sabesp. Nessa porção do reservatório as concentrações médias de alguns metais atingiram valores da ordem de 4, 11 e 6 vezes acima da concentração de referência para cádmio, cobre e cromo, respectivamente, sugerindo elevado potencial de toxicidade desse sedimento. Para alguns pontos específicos dessa porção do reservatório Guarapiranga, com base nos teores de cobre, as concentrações atingiram valores até 15 vezes o valor de referência. Os elevados teores de cobre encontrados nos sedimentos do braço Rio Grande e represa Guarapiranga são principalmente atribuídos ao constante uso do algicida a base do agrotóxico sulfato de cobre, há cerca de 20 anos utilizado no controle do crescimento de algas potencialmente tóxicas, as cianobactérias.

Estudo divulgado em agosto de 2010, também executado por Carolina Fiorillo Mariani (PPG Ecologia, USP, IB, Depto. de Ecologia) no braço Rio Grande, corrobora o trabalho anteriormente executado pela pesquisadora. Os teores de metais determinados no sedimento localizado na porção em frente ao Parque Municipal Estoril e estação de captação de água bruta da Sabesp (São Bernardo do Campo) atingiram valores acima da concentração de referência para toxicidade até cerca de 30, 9, 5 e 8 vezes para cobre, cádmio, cromo e níquel, respectivamente. Complementando o trabalho, trazendo novas e preocupantes observações, testes de toxicidade efetuados por Carolina em universidade alemã sugerem potenciais efeitos para citotoxicidade, mutagenicidade e genotoxicidade do sedimento desse braço.

Estes elevados teores de metais e de potenciais efeitos tóxicos do sedimento de algumas massas de água empregadas no abastecimento público, antes de tudo, refletem a pouca preocupação na gestão de nossas bacias hidrográficas, com forte impacto negativo sobre a qualidade das águas e do sedimento. Coleta e tratamento de fontes pontuais, tais como de esgotos domésticos e industriais, implicando em descarte zero, deve ser a meta no curto prazo, visando reduzir a entrada de metais e outros compostos químicos em rios e reservatórios. Para se ter uma idéia, apenas para a região metropolitana de São Paulo ainda o esgoto sem tratamento lançado nos nossos corpos de água é referente a uma população de cerca de 10.000.000 habitantes, representando quase 50% da população. Mas somente coletar e tratar todo esgoto não basta. Também devem ser fortalecidas a legislação e a sua real implantação com a constituição de zonas de amortecimento para nossas massas de água. Esta zona de amortecimento, constituída de uma faixa de vegetação localizada entre a massa de água e a região do entorno, serviria como um filtro, reduzindo o efeito da entrada de fontes dispersas constituídas de inúmeros compostos químicos empregados nas diversas atividades, principalmente na agricultura. O contínuo levantamento dos teores de metais e outros compostos presentes no sedimento, acompanhados de estudos de toxicidade desse sedimento, permitem constatar se as ações empreendidas na bacia hidrográficas potencializam esses efeitos negativos, ampliando o comprometimento da qualidade do sedimento e de sua respectiva massa de água para múltiplos propósitos. O sedimento recente é um excelente indicador de poluição e contaminação ambiental e pode e deve ser empregado com o um sítio de referência para direcionar as ações empreendidas na bacia hidrográfica com o objetivo de recuperação da qualidade de nossas águas interiores.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h00
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A descabida exploração ambiental à luz do dia será mais escancarada?

Hoje vivemos uma avalanche de discussões sobre problemas ambientais, passando pela necessidade de proteção da mata atlântica e da Amazônia, entre outros biomas brasileiros, mas também relativo à destruição da camada de ozônio, sobre o efeito estufa e os efeitos das mudanças climáticas globais na vida de todos nós. Outras discussões debatem se há propriedade ou prioridade para instalar grandes usinas hidroelétricas na Amazônia ou se o mais indicado seria instalar PCH (pequenas centrais hidroelétricas) ou ainda se a troca de motor e gerador das atuais hidroelétricas em funcionamento traria ganho na produção de energia e refletiria em baixo impacto ambiental, pois não seria necessária a construção de novas barragens. Ainda para a região Amazônica temos o eterno debate relacionado aos problemas decorrentes das queimadas, da ação devastadora da agricultura e da pecuária extensiva e, refletindo na perda de área da floresta em pé e de diversidade biológica e, mais recentemente, sobre o problema da emissão de carbono liberado pelas queimadas, entre outros. Há também inúmeras discussões sobre as significativas alterações na qualidade das águas seja de lagos, rios e reservatórios em todo território nacional ou de nossos mares, com reflexo na biota e na redução dos usos prováveis desses recursos, passando pela redução da quantidade de água com qualidade para o uso mais nobre, o abastecimento público, principalmente próximo aos grandes centros urbanos. Relativo à água, também é premente ampliar a discussão sobre a necessidade de coletar, afastar e de fato tratar as águas residuárias domésticas que são lançadas indiscriminadamente nos corpos de água, causando inúmeros problemas de saúde pública e agravando o processo de eutrofização no Brasil. Para se ter uma idéia, o esgoto não tratado lançado nos corpos de água da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é representativo a 10 milhões de habitantes. Também estão na ordem do dia discussões sobre a ampliação da produção de álcool combustível derivado da monocultura da cana-de-açúcar e a produção do biodiesel. O intenso e descontrolado uso de agrotóxicos também preocupa, mas para piorar, há proposta em curso no Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) que se aprovada, permitirá a aplicação direta de agrotóxicos em ambientes aquáticos para o controle do crescimento da fauna e flora. Há sempre o polêmico uso da energia nuclear e seus resíduos tóxicos. Há também os organismos geneticamente modificados, em particular a falta de controle no seu uso nas diversas etapas da cadeia produtiva. E vai longe, pois a agenda de discussões e problemas ambientais é vasta.

Com base nesse pequeno histórico de problemas ambientais, todos concordam que o meio ambiente não suportará a continuidade de mais um século de exploração humana, nos moldes dos últimos cinqüenta anos, e algo deve ser feito. Assim, há calorosos debates sobre a necessidade de alterações na legislação ambiental brasileira para que ela seja menos permissiva. No entanto, na contramão, patrocinado pelo governo federal, alguns debatem sobre a necessidade de alterações na direção de reduzir as restrições ambientais para a instalação de qualquer empreendimento. Como justificativa, alegam que a redução nas restrições ambientais e nas exigências para as compensações ambientais agiria como um facilitador, pois permitiria maior rapidez na liberação de autorizações para o início das obras e de operação do empreendimento, contribuindo para ampliar a oferta de emprego e renda. Caso essa discussão em curso de fato se qualifique e reduza as restrições ambientais, e tudo indica que isso ocorrerá, será um estrondoso retrocesso na já fragmentada política ambiental brasileira patrocinado pelo governo Lula.

 

Água, ar e alimentos

A água, o ar e os alimentos devem ser considerados como recursos inalienáveis aos seres humanos e cada família deveria ser provida de uma quantidade digna desses itens para permitir a manutenção de sua vida com qualidade. Se privado de ar em minutos morremos, mas privados de uma porção adequada de água ou de alimento podemos ser subjugados por décadas. Além disso, há dificuldades em controlar o ar que respiramos, desta forma, é o único recurso ainda gratuitamente disponível. Ao longo dos séculos paulatinamente os demais recursos foram apropriados por alguns poucos homens e hoje estão nas mãos de empresários e banqueiros e somente mediante pagamento são disponibilizados. A terra, seu subsolo e demais produtos naturais (fauna, flora e minerais) e os produtos trabalhados (indústria, agricultura e mineração, etc.) pela grande massa de homens permanecem de poucos. Isso tem que mudar.

 

Especialistas em meio ambiente e o setor produtivo

As posições de inúmeros especialistas e técnicos em meio ambiente, tais como “pouco importa se os recursos ou serviços ambientais são fornecidos por empresas públicas ou privadas”, ou “a questão central é quem vai pagar a conta quando o governo investir”, ou ainda “somente o setor produtivo poderá trazer a melhor solução”, devem ser analisadas com cautela.

Importa sim, principalmente quando o recurso ou serviço ambiental é ofertado por companhia privada. Está última tem interesses próprios que seguem a lógica de mercado, pois o que importa não é a oferta em si necessária ou não do recurso ou serviço, mas sim interessa o espectro dessa necessidade e a conseqüente obtenção do lucro rápido para poucos homens, suas famílias e alguns associados, que se sentem donos desses recursos e serviços ambientais. Para tanto, visando obter lucro, basta operar qualquer recurso ou serviço, independente do que representa e da sua necessidade objetiva. Ao setor produtivo não interessa garantir a manutenção da vida ou a sua qualidade, o importante é a manutenção do lucro certo e imediato, mas para poucos. Quanto a pagar a conta, esta também é uma questão fundamental. Assim, os empresários querem operar só no que dá lucro e são avessos a qualquer forma de tributo, taxa ou regulamentação, pois interferem na ampliação do lucro. Captam água e energia elétrica, por exemplo, e usam nas suas atividades produtivas, mas não querem pagar nem pelo uso particular, pelo impacto ambiental gerado pelas obras necessárias para instalar toda estrutura para captar, produzir e distribuir água e energia elétrica e, posterior ao uso, não têm interesse em pagar pelo adequado descarte dos eventuais resíduos gerados em suas atividades produtivas. Como se diz no popular interessa somente o file e não cuidam do osso. Desta forma, fica garantido para toda sociedade, presente e futura, o passivo ambiental gerado pelo interesse de poucos. Reduzir as restrições ambientais ao estabelecimento de empreendimentos, como tem sido proclamado por ministros, governadores, secretários de estado e inúmeros empresários, vem a gosto da iniciativa privada, que vê nesses facilitadores a possibilidade de ampliar seus lucros e manter o domínio sobre esses recursos e serviços ambientais, deixando de lado importantes preocupações e ações que visem minimizar os impactos sobre os ecossistemas. Portanto, não é o setor dito produtivo quem tem o interesse e as competências para atender a todos, principalmente sobre a manutenção da qualidade ecológica e da saúde de nossos ecossistemas. Quando este setor apresenta solução, é de momento e segue interesses particulares, almejando unicamente a manutenção ou ampliação do lucro.

 

Meio ambiente & políticas públicas

Ao se discutir o uso pelo homem dos recursos e serviços ambientais, o que deve vir em primeiro lugar é a política pública que definirá como, quando e porque esses recursos ou serviços serão utilizados e quem será o principal beneficiado, tanto durante o período de instalação do empreendimento e principalmente quando este já estiver em operação. É importante que se inclua na discussão o tema “quem pagará a conta” e qual a política que definirá as diferentes taxas atribuídas aos vários setores beneficiados pelo empreendimento.

Hoje, os detentores dos meio produtivos e do capital têm acento em postos chaves de decisão e, somado à falsa necessidade veiculada relativa aos inúmeros bens e serviços que produzem, executados pela televisão, jornais e revistas, passam a ser justamente os setores que ditam a agenda ambiental brasileira. Desta forma, as atuais políticas públicas são muito permissivas e sempre caminham na direção do lucro, da pouca regulamentação e da exploração ambiental sem preocupação com a sustentabilidade ambiental. Os recursos água e energia elétrica, por exemplo, são então prioritariamente empregados para atender aos interesses do capital e dos empresários. Mas toda a facilitação hoje existente no Brasil ainda não satisfaz e o setor produtivo e o capital querem menor regulamentação visando ampliar as facilitações para explorar os recursos e serviços ambientais, sem dúvida agravando o quadro de exploração ambiental e os inúmeros problemas ambientais decorrentes dessa exploração mais permissiva. A recente alteração no regimento do Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) do Estado de São Paulo, ampliando de 8 para 12 o número de assinaturas dos Conselheiros para se avocar EIAs-RIMAs para exame pelo Conselho, pode ser compreendido como uma das ações facilitadoras em curso para permitir agilidade na instalação de empreendimentos no Estado de São Paulo, particularmente a construção do trecho norte do Rodoanel, que passará em importantíssima área de manancial, o sistema Cantareira, que abastece cerca de 8,1 milhões habitantes da RMSP.

A ampliação das facilitações na exploração dos recursos e serviços ambientais caminha na contramão da sustentabilidade e se contrapõem a uma visão de mundo mais igualitária, onde "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida" (*). Assim, é urgente trocar os atores que comandam a agenda ambiental brasileira e inverter as prioridades atendendo à maioria, mas em busca da sustentabilidade ambiental.

 

* Constituição da República Federativa do Brasil, Art. 225º, 1988.

 

 

De Marcelo Pompêo - USP, IB, Depto. de Ecologia, São Paulo, SP

 

Leia a matéria na integra também no Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h50
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Vamos envenenar as águas?

 

Logo O EcoDe O Eco, publicado em 24 de abril de 2009.

 

Não bastando o Brasil ser líder mundial em consumo de agrotóxicos e contaminar os alimentos que chegam diariamente à mesa da população, agora planeja-se envenenar as águas. Na pauta do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), figura uma proposta para regular pesquisa, registro, venda e uso de agrotóxicos e produtos semelhantes em ambientes aquáticos. Uma versão prévia de resolução pode ser conferida aqui. Mas afinal, por que jogar venenos na água? Essa é a saída pensada por governistas para conter a proliferação de cracas, mexilhões-dourados, algas e outras plantas em reservatórios para abastecimento público e geração de energia. Afinal, quando os problemas são empurrados com a barriga, eles crescem e surgem soluções drásticas para os mesmos.
 
Para o professor Marcelo Pompêo, do Departamento de Ecologia da USP, deveriam ser avaliadas antes opções menos agressivas à natureza, deixando os agrotóxicos como última alternativa e impedindo seu uso, pelo menos, em mananciais voltados ao abastecimento público. "Há alternativas antes do uso de venenos, como a coleta manual ou mecânica (de organismos que se proliferam em reservatórios) e programas eficientes de monitoramento, baseados no conhecimento dos usos e da dinâmica de ocupação das bacias hidrográficas", disse.

 

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h24
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Primavera silenciosa em versão nacional

De Marcos Sá Correa

 

Em excelente texto, Marcos Sá Correa mostra que “quase tudo o que atualmente sai do campo para a mesa sem o selo da agricultura alternativa tem boa chance de estar envenenado por inseticidas”. Leiam o manuscrito na íntegra no link.

 

Somados, a contaminação dos alimentos e a discussão da nova resolução Conama (que permitirá a aplicação de agrotóxicos em ambientes aquáticos - para o controle da flora e fauna), fecham o cerco, com alimentos e água potencialmente contaminados.

 

Vamos permitir que esses descalabros continuem? 

 

Leiam matéria neste blog (A nova resolução do CONAMA que disciplina o uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos - Parte 1, 2 e 3).

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h52
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A nova resolução do CONAMA que disciplina o uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos - Parte 1

Introdução

Atualmente o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) discute proposta de resolução que disciplina a pesquisa, o registro, a comercialização e utilização de agrotóxicos em ambientes aquáticos. A leitura da versão da resolução originada do 4º GT Agrotóxico(3), de março de 2009, suscita dúvidas e preocupações. Este manuscrito visa contribuir com subsídios para a discussão da referida resolução.

 

A proposta de resolução

No caput a proposta de resolução considera “a necessidade do estabelecimento de uma regulamentação específica para o uso de agrotóxicos e afins em ambientes aquáticos, bem como autorização da atividade de controle de espécies aquáticas (invasoras) (grifo dos autores)” visando “alterar a composição ou densidade de uma ou mais espécies da flora ou fauna”. O Art. 1o estabelece diretrizes para serem adotadas pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), “para fins de autorizações (licenciamento) (grifo dos autores) para realização de pesquisa, experimentações, comercialização e utilização de agrotóxicos, seus componentes e afins destinados ao uso em ambientes aquáticos”. Disciplina ainda que os hidropesticidas (definido conforme Art. 2o, inciso I) deverão dispor registro prévio e específico para o fim estabelecido na própria resolução (Art. 3o ao 5o). Estabelece o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (IBAMA) como responsável pela análise dos estudos de eficiência dos hidropesticidas, sendo aceitos unicamente estudos realizados no Brasil (Art. 7o e 9o). Também normatiza a comercialização e credenciamento do usuário ou prestador de serviço, definidos conforme Art. 2o. Dispõe ainda sobre a aplicação de produtos hidropesticidas, por usuários e prestadores de serviço mediante licença ambiental expedida pelo órgão ambiental competente (Art. 13º ao 17º), que “definirá, para fins da avaliação da Licença Ambiental, os critérios de exigibilidade e detalhamento das informações relativas ao tipo de atividade, levando em consideração as especificações e o porte da área a ser envolvida, bem como, a localização e os usos associados, além do risco ambiental do(s) hidropesticida(s)” (Art. 14º, Parágrafo único). Nos Art. 18º ao 24º define responsabilidades. Segue com Disposições Transitórias (Art. 25º) e Disposições Gerais (Art. 26º ao 28º).

A leitura deixa claro que a proposta de resolução se propõe principalmente a regulamentar o uso para pesquisa, experimentações, comercialização e utilização de agrotóxicos, seus componentes e afins, visando o controle de espécies aquáticas, particularmente as invasoras.

 

Críticas e sugestões

            De fato, é imprescindível o estabelecimento de regulamentação para o uso de agrotóxicos e afins diretamente nos ambientes aquáticos, bem como discutir os princípios e procedimentos para a autorização da atividade de controle de espécies aquáticas, invasoras1 ou nativas4, seja pelo emprego de agrotóxico ou por outro procedimento de manejo menos agressivo. Assim, o atual momento de discussões e de definições representados por esta proposta de resolução deveria incorporar estas questões e não se ater principalmente na regulamentação do uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos.

            Na proposta de resolução seria adequado complementar a redação apresentando os critérios para melhor definir os organismos aquáticos como espécies invasoras e justificar quais as situações onde o emprego de agrotóxico para o controle do crescimento das espécies invasoras é mais adequado, independente do porte da área envolvida. Mais ainda, é preciso definir se a resolução é pertinente exclusivamente a espécies invasoras ou se contemplará inclusive as nativas. Caso contemple unicamente as espécies invasoras, a resolução não se aplica às macrófitas aquáticas Eichhornia crassipes, Egeria densa e Salvinia molesta, por exemplo, pois são consideradas espécies nativas.

É pertinente definir riscos ambientais e propor análise de risco para o ecossistema e sua biota e para os seres humanos. Também deveria incorporar estudos prévios (monitoramento) e outras sugestões de manejo menos agressivas que o emprego de agrotóxicos, como a remoção mecânica ou o controle biológico, por exemplo. É conveniente definir penalidades e responsabilidades no caso do descumprimento da resolução, com penalidades mais severas se constatado problemas (à biota ou aos seres humanos) devido à aplicação do agrotóxico em não conformidade à Licença Ambiental aprovada. A resolução poderia apresentar listagem dos agrotóxicos potencialmente aplicáveis, ou no mínimo uma lista com os agrotóxicos banidos dos testes. Poderia também definir os limites superiores para aplicação de determinado agrotóxico, quais os procedimentos mais adequados para sua aplicação e a periodicidade da aplicação, além de definir critérios para a seleção dos locais de aplicação, tais como a distância mínima do ponto de captação de água bruta empregada no abastecimento público. A proposta de resolução deveria disciplinar a aplicação conjunta ou seqüencial de diferentes agrotóxicos e exigir o monitoramento em todos os compartimentos do sistema (biótico e abiótico) dos resíduos dos agrotóxicos aplicados e seus subprodutos, anterior e posterior à aplicação. É conveniente justificar a classificação em diferentes tamanhos as áreas de aplicação (Art. 15º). Deveria ser restrita à aplicação de agrotóxicos em corpos de água empregados no abastecimento público, em particular nos em conformidade à classe especial e classe 1, com base na resolução Conama 357/05. Além disso, é vital exigir a realização de testes de toxicidade com a biota do local de aplicação dos agrotóxicos, incluindo testes com organismos padrão. Chama ainda a atenção o fato de não deixar explicito a necessidade de estudos prévios sobre a biologia e ecologia da espécie considerada problema, subsidiando a tomada de decisão. O Art. 2o, inciso I, não tem clara redação, pois não explica como definir quais são e quem define as ações danosas dos seres vivos e quais são as “circunstâncias de ocorrência”.

            Além dos pontos apresentados acima também são questões relevantes a serem incorporadas na redação final da resolução(6): avaliar o melhor momento para aplicação do agrotóxico e qual o estádio mais suscetível; qual a dose para a efetividade do controle; se a aplicação será em dose única ou não; qual o produto mais efetivo para determinada espécie (especificidade). Como o agrotóxico persiste após vários dias da aplicação, este fato demandará esforços em estudos que avaliem para cada local de aplicação os efeitos duradouros do agrotóxico para o ecossistema e sua biota aquática. O emprego indiscriminado dos agrotóxicos também poderá levar ao aparecimento de resistência, o que implicará na ampliação da concentração das doses e provavelmente redução no período de aplicações, com reflexo sobre o meio e nos usos múltiplos de lagos e reservatórios brasileiros. Assim, anterior à aplicação de determinado agrotóxico devem ser conduzidos extensos experimentos visando avaliar o potencial de intoxicação e/ou comprometimento de toda biota e para os usos do ecossistema, como abastecimento público e contato primário, por exemplo.

 

O manuscrito continua nas Partes 2 e 3, a seguir.

 

 

Baixe o manuscrito completo do Correio da Cidadania. 

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h08
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A nova resolução do CONAMA que disciplina o uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos - Parte 2

Críticas e sugestões

            De fato, é imprescindível o estabelecimento de regulamentação para o uso de agrotóxicos e afins diretamente nos ambientes aquáticos, bem como discutir os princípios e procedimentos para a autorização da atividade de controle de espécies aquáticas, invasoras1 ou nativas4, seja pelo emprego de agrotóxico ou por outro procedimento de manejo menos agressivo. Assim, o atual momento de discussões e de definições representados por esta proposta de resolução deveria incorporar estas questões e não se ater principalmente na regulamentação do uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos.

            Na proposta de resolução seria adequado complementar a redação apresentando os critérios para melhor definir os organismos aquáticos como espécies invasoras e justificar quais as situações onde o emprego de agrotóxico para o controle do crescimento das espécies invasoras é mais adequado, independente do porte da área envolvida. Mais ainda, é preciso definir se a resolução é pertinente exclusivamente a espécies invasoras ou se contemplará inclusive as nativas. Caso contemple unicamente as espécies invasoras, a resolução não se aplica às macrófitas aquáticas Eichhornia crassipes, Egeria densa e Salvinia molesta, por exemplo, pois são consideradas espécies nativas.

É pertinente definir riscos ambientais e propor análise de risco para o ecossistema e sua biota e para os seres humanos. Também deveria incorporar estudos prévios (monitoramento) e outras sugestões de manejo menos agressivas que o emprego de agrotóxicos, como a remoção mecânica ou o controle biológico, por exemplo. É conveniente definir penalidades e responsabilidades no caso do descumprimento da resolução, com penalidades mais severas se constatado problemas (à biota ou aos seres humanos) devido à aplicação do agrotóxico em não conformidade à Licença Ambiental aprovada. A resolução poderia apresentar listagem dos agrotóxicos potencialmente aplicáveis, ou no mínimo uma lista com os agrotóxicos banidos dos testes. Poderia também definir os limites superiores para aplicação de determinado agrotóxico, quais os procedimentos mais adequados para sua aplicação e a periodicidade da aplicação, além de definir critérios para a seleção dos locais de aplicação, tais como a distância mínima do ponto de captação de água bruta empregada no abastecimento público. A proposta de resolução deveria disciplinar a aplicação conjunta ou seqüencial de diferentes agrotóxicos e exigir o monitoramento em todos os compartimentos do sistema (biótico e abiótico) dos resíduos dos agrotóxicos aplicados e seus subprodutos, anterior e posterior à aplicação. É conveniente justificar a classificação em diferentes tamanhos as áreas de aplicação (Art. 15º). Deveria ser restrita à aplicação de agrotóxicos em corpos de água empregados no abastecimento público, em particular nos em conformidade à classe especial e classe 1, com base na resolução Conama 357/05. Além disso, é vital exigir a realização de testes de toxicidade com a biota do local de aplicação dos agrotóxicos, incluindo testes com organismos padrão. Chama ainda a atenção o fato de não deixar explicito a necessidade de estudos prévios sobre a biologia e ecologia da espécie considerada problema, subsidiando a tomada de decisão. O Art. 2o, inciso I, não tem clara redação, pois não explica como definir quais são e quem define as ações danosas dos seres vivos e quais são as “circunstâncias de ocorrência”.

            Além dos pontos apresentados acima também são questões relevantes a serem incorporadas na redação final da resolução(6): avaliar o melhor momento para aplicação do agrotóxico e qual o estádio mais suscetível; qual a dose para a efetividade do controle; se a aplicação será em dose única ou não; qual o produto mais efetivo para determinada espécie (especificidade). Como o agrotóxico persiste após vários dias da aplicação, este fato demandará esforços em estudos que avaliem para cada local de aplicação os efeitos duradouros do agrotóxico para o ecossistema e sua biota aquática. O emprego indiscriminado dos agrotóxicos também poderá levar ao aparecimento de resistência, o que implicará na ampliação da concentração das doses e provavelmente redução no período de aplicações, com reflexo sobre o meio e nos usos múltiplos de lagos e reservatórios brasileiros. Assim, anterior à aplicação de determinado agrotóxico devem ser conduzidos extensos experimentos visando avaliar o potencial de intoxicação e/ou comprometimento de toda biota e para os usos do ecossistema, como abastecimento público e contato primário, por exemplo.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h07
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A nova resolução do CONAMA que disciplina o uso de agrotóxicos em ambientes aquáticos - Parte 3

Considerações finais

Segundo a Constituição Federal do Brasil (Art. 225º)(2), “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Assim, este momento único de discussão e debate, ainda em aberto relativo à proposta de resolução, deveria avaliar a propriedade de empregar os tão contestados agrotóxicos no controle dos organismos aquáticos, mesmo aplicados às espécies invasoras. A proposta de resolução deveria ser suficientemente ampla para prioritariamente propor formas de manejo menos agressivas e não unicamente disciplinar o uso de agrotóxicos. Também deveria ser mais restritiva no sentido de não incorporar todos os organismos aquáticos (fauna e flora). O mais conveniente é considerar grupos de organismos ou “espécies problemas” e propor formas específicas de manejo.

            Antes de tudo, a proposta de resolução deveria incorporar o monitoramento e manejo da bacia hidrográfica como forma de minimizar o impacto das atividades humanas em dada massa de água, refletindo na redução/controle do intenso crescimento de qualquer organismo aquático. É fundamental conhecer e controlar os usos e ocupações da bacia hidrográfica, refletindo em ações que contribuam na melhoria da qualidade da água e na qualidade ecológica do ecossistema e não unicamente nos balizarmos nos usos e necessidades humanas. Também não é adequado pontualmente solucionar um efeito secundário específico, como o crescimento excessivo de um organismo aquático, pelo uso de agrotóxico. O manejo com agrotóxico não deve ser incorporado como o principal ou único procedimento de manejo. Sua aplicação, se ocorrer, deve se dar em situações extremas, quando outros procedimentos menos agressivos já foram tentados e sem sucesso. É fundamental acompanhar e tomar decisões regularmente e não permitir a infestação e só depois propor ações agressivas. Devido a muitas incertezas, o emprego de agrotóxicos em ambientes aquáticos deveria ser a última opção como método de manejo(5).

            As considerações apresentadas acima sugerem que a aprovação da proposta de resolução como se encontra poderá ter sérias implicações na saúde de nossos mananciais e sua biota. O atual debate não deve ficar restrito e sim incorporar sugestões de inúmeros especialistas que transitam em diferentes áreas do conhecimento subsidiando a construção de uma resolução mais sólida, prioritariamente garantindo a saúde do meio ambiente e da população, em particular a manutenção da qualidade de nossos mananciais para as próximas gerações.

 

Referências

1 - Barata, G. Sugerindo uma nova definição para espécies invasoras, Cienc. Cult. 61(1): 46-47, 2009.

2 - CF, Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, D.O. de 05/10/1988.

3 - CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente, Ministério do Meio Ambiente, 4ª Reunião do Grupo Trabalho - 19 e 20 de março de 2009, Dispõe sobre a pesquisa, o registro, a comercialização e utilização de agrotóxicos em ambientes aquáticos, Versão Com Emendas -http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/E392D222/PropResolAgrotoxicosVSuja4Reuniao_20mar09.pdf, acessada em 31 de março de 2009.

4 - IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente, 2º ed., Rio de Janeiro, 2004

5 - Pompêo, M. Monitoramento e manejo de macrófitas aquáticas, Oecol. Bras., 12(3): 406-424, 2008.

 

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h05
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Modelo de livre mercado para exploração de água destrói cidade chilena

Durante as últimas quatro décadas aqui em Quillagua, uma cidade registrada nos livros de recordes como o local mais seco da terra, os moradores algumas vezes enxergaram gotas de chuva sobre as montanhas à distância. Mas elas nunca atingiram o solo, tendo se evaporado como uma miragem ainda no ar.

O que a cidade tinha era um rio, que alimentava um autêntico oásis no deserto de Atacama. Mas, segundo os moradores, as companhias mineradoras poluíram e compraram uma quantidade tão grande da água que durante vários meses por ano o rio transforma-se em apenas um filete imprestável.

Leia a matéria completa no link.

De
Alexei Barrionuevo
Em Quillagua (Chile)
17/03/2009 - 00h01
The New York Times
 


Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 10h21
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Após desastre das chuvas, Santa Catarina discute novo código ambiental

Ainda abalada com a tragédia causada pelas cheias, a população de Santa Catarina convive agora com uma polêmica proposta de mudanças da legislação ambiental. O Executivo estadual pretende unificar todas as leis que tratam do assunto em um código ambiental. No entanto, ambientalistas catarinenses criticam vários pontos do projeto e o consideram inconstitucional.

A secretária executiva do Comitê de Bacias do Rio Itajaí, Beate Frank, disse que a idéia de criação do código ambiental é positiva, mas ressaltou que vários itens da proposta ferem a legislação nacional. Um exemplo citado pela ambientalista é a proposta de redução de 30 para 10 metros da distância mínima de mata ciliar para cursos d´água para rios com largura inferior ou igual a 10 metros.

"A intenção da criação do código é positiva, porque a legislação ambiental é muito fragmentada e dispersa. Existem muitas leis tratando de muitas coisas. A reunião disso tudo em um único instrumento legal facilita tanto a gestão quanto o ensino e a orientação. A idéia é muito boa, mas é muito difícil de ser praticada", argumentou Beate.

Da Agência Brasil - Domingo, 18 de janeiro de 2009 

Leia a matéria completa no link.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 19h12
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Um horror, o governo do Rio de Janeiro usará canais e riachos como redes coletoras de esgoto

 

Rafaella Javoski (UOL Notícias, Rio de Janeiro, publicada em 27/10/2008 - 16h04) informou que governo do Rio de Janeiro usará canais e riachos como redes de esgoto; mas especialistas criticam a medida.

Devido à falta de rede de saneamento básico em comunidades de maior aglomeração na cidade, como as favelas, o governo do Rio de Janeiro anunciou que vai priorizar investimentos em um sistema conhecido como saneamento de tempo seco. Em vez de construir as tubulações do saneamento convencional, o governo vai jogar o esgoto em canais e riachos destas comunidades e bombeá-lo para pequenas estações de tratamento nas localidades. O nome "tempo seco" refere-se à impossibilidade de usar o sistema em dias de chuva, pois com o aumento do volume de água, o esgoto transbordaria.

Leiam a matéria completa no site do UOL.

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A seguir leia a opinião deste blog.

Recentemente o governo do Rio de Janeiro anunciou que priorizará investimentos em um sistema conhecido como saneamento de tempo seco. Apresentou a proposta como alternativa à coleta e tratamento convencional de esgotos domésticos, a ligação dos esgotos domésticos, formando a rede coletora, com os coletores-tronco e interceptores com destino final das águas servidas nas estações de tratamento, com melhoria de sua qualidade posteriormente devolvida ao ambiente. A proposta apresentada tem como objetivo permitir o lançamento do esgoto in natura em canais e riachos para depois bombear a água poluída para pequenas estações de tratamento. Isto é, pretende manter o uso dos corpos de água como receptores e rede coletora de esgoto. Um horror mesmo.

Há mais de quinhentos anos esse procedimento é empregado no país, com as conseqüências mais do que conhecidas e danosas, compreendendo grave comprometimento na qualidade das águas superficiais, como problemas de doenças de veiculação hídrica, eutrofização, crescimento de algas potencialmente tóxicas, entre outros.

Em São Paulo a situação não é diferente. O lançamento em rios e riachos do esgoto in natura de cerca de 10.000.000 de habitantes ainda é empregado como procedimento de afastamento das águas servidas. Esta forma de uso deve ser abolida, pois não só degrada o corpo de água, mas também como procedimento de afastamento não é adequado, principalmente em grandes centros urbanos densamente ocupados.

Para as represas Billings e Guarapiranga a aplicação direta de peróxido de hidrogênio ou sulfato de cobre na massa de água é a principal ação de controle do crescimento de algas, em particular as potencialmente tóxicas, as cianobactérias, que com suas toxinas podem causar a morte de seres humanos. Pior ainda, este procedimento de controle já é empregado na represa Paiva Castro, que abastece cerca de 10.000.000 habitantes da grande São Paulo. Assim, a manutenção das atuais políticas públicas no uso e ocupação dos espaços, que seguem inalteradas, não deixa outra alternativa, no futuro o Paiva Castro será como a Guarapiranga. Como tudo demonstra que na haverá mudanças nas intenções e interesses de nossos dirigentes de plantão, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, nem no longo prazo, então de onde virá a água para bebermos? Qual será a qualidade da água empregada no abastecimento público? Qual será o custo final da água servida à população?

A solução é tratar o problema na fonte, coletando todo o esgoto gerado em sistema próprio e de fato afastá-lo, não permitindo o lançamento no manancial mais próximo. Temos também que disciplinar os usos e ocupações dos espaços, definindo prioridades, com reflexos na melhoria da qualidade das águas.

No entanto, vivemos eternamente no improviso cuidando unicamente dos efeitos, com infra-estrutura precária e políticas públicas ineficientes, e pior, sem perspectiva de melhora. É como se a nossa dor de dente fosse tratada unicamente com anestésico, sem nunca ter o problema resolvido na base, ter o dente tratado em definitivo e monitorado visando prevenir novos problemas. A título de prioridade, continuamos com os procedimentos paliativos empregados como definitivos. Que horror.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 19h12
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Olá pessoal

 

Nos links a seguir encontrarão inúmeros livros completos para download, não percam a oportunidade:

 

http://www.etg.ufmg.br/manualrsu.pdf

 

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/mata_atlantica/m_atl_pub/index.cfm?uNewsID=3140

 

http://www.finep.gov.br/prosab/produtos.htm

 

http://www.ilec.or.jp/eg/pubs/index.html

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 15h20
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Saciar a sede de água e cidadania

Como impedir que a população do semi-árido brasileiro prossiga vítima da seca? A melhor iniciativa é o Programa 1 Milhão de Cisternas, também conhecido por Programa de Mobilização e Formação para Convivência com o Semi-árido. Neste mês, comemora-se o marco de 1 milhão de pessoas favorecidas pela construção de cisternas.

 

Escrito por Frei Betto.

 

Leiam o manuscrito completo no Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h04
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O hidronegócio e a privatização das águas

A recente notícia de que o governo Lula irá licitar as águas da União reacende o debate sobre uma atividade silenciosa, mas, certamente, uma das mais poderosas no mercado mundial - o hidronegócio.

 

Depois da concessão de rodovias e florestas, o governo Lula “pegou gosto” pela privatização. Agora, em atenção ao hidronegócio, privatizará, por concessão, as chamadas “áreas aqüícolas” em lagos, rios, açudes, reservatórios ou em pontos do litoral. Já espalhadas pelas plantações de cana-de-açúcar e de soja do país, empresas estrangeiras poderão agora explorar águas da União. De acordo com o governo, já existem escoceses, noruegueses, franceses e espanhóis interessados na abertura dos editais de licitação, tanto para reservatórios em água doce como em pontos do litoral.

 

Escrito por Henrique Cortez.

Leiam a matéria completa no Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h59
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Estudo mostra que, nas capitais brasileiras, metade da água para abastecimento é jogada fora

Na próxima quarta-feira 21 de novembro o ISA (Instituto Socioambiental) lança em São Paulo a Campanha De Olho nos Mananciais, que tem como objetivo esclarecer a sociedade brasileira sobre a situação das fontes de água que abastecem as grandes cidades do País. Na ocasião, será apresentado um estudo inédito sobre a situação do abastecimento público e saneamento básico nas 27 capitais brasileiras. O levantamento revela, entre outras informações surpreendentes, que praticamente metade da água retirada dos mananciais das capitais é desperdiçada em vazamentos, fraudes e sub-medições. A quantidade de água jogada fora seria suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas por dia.

Leia matéria completa no site do Instituto Socioambiental.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 07h54
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A globalização das águas nordestinas

 

Temos dito oportuna e inoportunamente que a transposição de águas do São Francisco é a última grande obra da indústria da seca e a primeira do hidronegócio. O interesse das transnacionais do aço no porto de Pecém, Fortaleza, já não permitem qualquer dúvida a esse respeito. O governo central sabe disso, inclusive o presidente, por isso se recusa em considerar qualquer alternativa, postando-se como um governo cego e surdo.

 

Porém, se a transposição é a primeira, outras se seguirão. A maior dessas obras chama-se “Canal do Sertão”, um rio de águas que será drenado do lago de sobradinho para alimentar o plantio de cana irrigada em pleno sertão pernambucano para produção de etanol. É a moeda de troca do Ministério da Integração ao governo de Pernambuco para apoio à transposição. Ele parte do lago de Sobradinho, logo à montante da barragem, atravessa o município de Casa Nova e adentra o alto sertão pernambucano. A Petrobrás já se encarregou de fazer, inclusive, a infra-estrutura. É dessa forma que vai sendo traçada a globalização das águas nordestinas. A privatização da água pelo governo Lula deveria estar no cerne do plebiscito popular de sete de setembro, assim como está a privatização da Vale por Fernando Henrique. Particularmente, acho aquela mais perversa que essa.

 

Não vai faltar outorga de águas para esse tipo de obra. Dias atrás, pequenos agricultores do Espírito Santo já debatiam sobre a outorga, tentando entender como ela impactará seus plantios de café irrigado. Temem pelo futuro, com toda a razão. No sertão, os grandes projetos vão absorver em pouquíssimo tempo o restante das águas outorgáveis.

 

Junto com as águas vão as melhores manchas de solos agricultáveis do sertão. O que poderia ser destinado a fins mais nobres, como plantio de alimentos e frutas, vai ser destinado aos tanques dos carros japoneses. Assim, numa região que ostenta os piores índices de IDH do planeta, os melhores solos e os grandes volumes de água se colocam a serviço dos caprichos de uma sociedade opulenta e predadora, enquanto o povo local ainda não tem um encanamento em suas casas ao menos para ter os 40 litros/dia de sua segurança hídrica doméstica. A população local ficará como mão de obra nos canaviais, com seu trabalho exaustivo e escravo.

 

Essas terras e essas águas ainda poderiam ser direcionadas para a reforma agrária. Se no sequeiro são necessários 70 hectares para uma família viver com dignidade, à beira do rio, em área irrigada, são necessários de 2 a 4 hectares para uma família viver de seu trabalho. Portanto, 140 mil hectares poderiam abrigar 70 mil famílias, ou seja, 350 mil pessoas. O mesmo se pode dizer do projeto Jaíba, em Minas, com seus 100 mil hectares, paralisados, com imenso investimento público jogado no cesto do lixo. Poderia abrigar mais 50 mil famílias. A irrigação, segundo a Embrapa Semi-árido, pode alcançar apenas 2% do semi-árido brasileiro, mesmo combinando as técnicas mais sutis de aproveitamento de água e de solos. Entretanto, já que se insiste em explorar esse potencial, ele poderia servir para fins mais úteis. Esse potencial não está muito longe das 200 mil famílias que estão acampadas ao longo das estradas brasileiras.

 

O presidente da República anda sentindo-se um Deus – não existe avião capaz de abalar sua popularidade - e o mito da “Arábia Saudita Verde” inundou o cérebro das autoridades brasileiras. Mudamos de governo, de presidente, mas não mudamos a qualidade do desenvolvimento brasileiro. Continua cruel e eticamente perverso.

 

De Roberto Malvezzi, o Gogó, é coordenador da CPT.

07-Ago-2007 – Extraído de Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h54
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Não às barragens no Ribeira de Iguape

 

 

 

 

Localizado entre o sul do estado de São Paulo e norte do Paraná, declarado Patrimônio Natural da Humanidade em 1999, o Vale do Ribeira contém mais de 2,1 milhões de hectares de florestas - 21% dos remanescentes de Mata Atlântica de todo o País -, 150 mil hectares de restingas e 17 mil de manguezais. Toda essa riqueza ambiental subsiste porque nessa região ainda vivem diversas comunidades tradicionais (remanescentes de quilombos, caiçaras, índios e pequenos produtores rurais) e foram criadas várias Unidades de Conservação.

 

Uma das maiores ameaças a esse riquíssimo patrimônio socioambiental é o projeto de construção de barragens ao longo do rio Ribeira de Iguape. Estudo de inventário hidrelétrico aprovado pelo governo federal na primeira metade da década de noventa prevê a construção de quatro barragens (nomeadas Tijuco Alto, Funil, Itaoca e Batatal), com o objetivo de geração de energia e, supostamente, de contenção de cheias. No entanto, essas quatro barragens, se construídas, inundarão permanentemente uma área de aproximadamente 11 mil hectares, incluindo cavernas, Unidades de Conservação, cidades, terras de quilombos e de pequenos agricultores, além de alterar significativamente o regime hídrico do rio, o que traria prejuízos difíceis de mensurar.

 

CAMPANHA CONTRA AS BARRAGENS NO RIBEIRA.

 

Leia o texto completo.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 20h31
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Incertezas da transposição

Falta de estudo pode comprometer gasto de R$ 4,5 bilhões e não resolve pobreza no São Francisco, alertam pesquisadores da UnB.

Leiam o texto completo no site da Assessoria de Comunicação da UnB.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h36
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“A não declarada Política Nacional de Meio Ambiente”

 

Por Marcelo Pompêo - Professor do Depto. de Ecologia da USP

 

Neste manuscrito são apresentadas as principais ações do governo federal com reflexo direto sobre os ecossistemas brasileiros e a qualidade de vida das comunidades constituintes, no conjunto, entendidas como a política nacional do meio ambiente. Também se discute quem são os principais beneficiários dessa escamoteada política. É abordada a transposição do São Francisco, a construção das usinas no rio Madeira (RO), as mudanças ocorridas no IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a lei que regulamentou a exploração de florestas públicas, o projeto de lei que regulamentará a exploração mineral em áreas indígenas, o impacto da produção do álcool proveniente da cana-de-açúcar, os transgênicos, a posição do Grupo dos Cinco sobre concessões em detrimento do crescimento econômico, a posição dos empresários frente às exigências para preparação de relatório de impacto ambiental, sobre o errôneo foco relativo os danos irreparáveis ao meio ambiente ao invés da discussão com base na sustentabilidade, além de considerações finais.

 

Leia o manuscrito completo: link.

 

Este manuscrito também foi publicado no Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h14
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Rio Madeira vivo

A estratégia adotada pelos idealizadores da campanha popular “Viva o Rio Madeira Vivo” é fundamental para que se tenha uma perspectiva melhor da dimensão dos problemas associados a estas obras, que não devem apenas passar por uma adequação (porque não se trata de questões técnicas pontuais, como querem nos fazer crer), mas serem suspensas por completo.

 Escrito por Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.

 

Leiam o texto completo no link do Correio da Cidadania.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h40
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O rio Madeira e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau: perspectivas futuras

 

A campanha popular Viva o rio Madeira vivo, atuante em Porto Velho, montou um cenário com a ajuda do Google Earth para mostrar didaticamente o que acontecerá com o rio Madeira se as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau forem construídas, vejam a apresentação em Flash.

Como dizem, após ver a apresentação, só não entende quem não quer.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h27
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A divulgação da pesquisa científica no Brasil

 

Resumo

A crescente orientação para a publicação em revistas internacionais vem acompanhando a mudança no critério de avaliação do mérito da pesquisa científica no Brasil. O modelo vigente privilegia a publicação em revistas estrangeiras e no idioma inglês, consideradas de maior relevância técnica e de maior nível de impacto na comunidade científica, em detrimento das revistas nacionais e de escrita em português. Menor importância ainda é dada às publicações de divulgação científica. A continuidade na discussão preferencial de preocupações de caráter externo e a falta de motivação para publicar textos em revistas especializadas nacionais e artigos de divulgação científica, não permitirão elevar o nível educacional e conscientizar a população. O modelo adotado pelas agências de fomento à pesquisa no Brasil, contribuirá para reduzir o número de títulos de revistas científicas nacionais e sua qualidade, e inibirá o amplo debate sobre questões de caráter local.

 

De Marcelo Pompêo

Publicado na Ciência & Comunicação (revista digital)

Volume 3, Número 5, Dezembro de 2006

 

Leia o texto completo.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h22
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Lançamento de esgoto “clandestino/irregular”

 

Em recente matéria veiculada pela BandNews (2/04/07), a Assembléia Legislativa do Paraná é acusada de lançar de forma irregular esgoto in natura no rio Belém, um dos principais rios de Curitiba. Este lançamento de esgoto é incompatível com a fama de Curitiba como a “capital ecológica” do país.

No entanto, fato como este não espanta e nem é isolado no país.

Menos ecológica do que Curitiba, na capital de São Paulo, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Fundação Parque Zoológico de São Paulo também lançam há anos esgoto in natura no Lago das Garças (Instituto de Botânica). A Secretaria lança esgoto propriamente dito enquanto que a entrada do Zoológico é proveniente principalmente da lavagem das selas dos animais. Os diversos estudos desenvolvidos na última década pelos especialistas do próprio Instituto de Botânica comprovam o elevado grau de comprometimento da qualidade das águas desse lago. Além do mais, a sede do Instituto, sua Reserva Biológica e o Jardim Botânico estão situados dentro da área do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (bairro da Água Funda, Av. Miguel Stéfano).

Este descaso do Estado no cumprimento de suas obrigações é lamentável.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h11
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Ibama autoriza início das obras para a transposição do São Francisco

 

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autorizou nesta sexta-feira o início das obras de transposição de águas do rio São Francisco, de acordo com a assessoria de imprensa da entidade.

O projeto de transposição prevê a construção de dois canais: um a Leste, que levará água para Pernambuco e Paraíba, a partir da captação no lago da barragem de Itaparica; e outro na direção Norte, abastecendo o Ceará e o Rio Grande do Norte com a retirada sendo feita nas imediações da cidade de Cabrobó (PE).

Na semana passada, o governo federal havia lançado o edital para as obras, que ainda precisarão ser licitadas.

Rômulo de Macedo Vieira, coordenador do projeto, prevê que a transposição dure quatro anos e custe cerca de R$ 4,2 bilhões.

Segundo levantamento do governo, o Nordeste conta com apenas 3% da água doce do país, dos quais a bacia do São Francisco responde por 70%.

O rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e deságua no Oceano Atlântico na divisa de Sergipe e Alagoas, cerca de 2.700 quilômetros adiante. Foi descoberto em 1502 e ficou conhecido como o Rio da Integração Nacional (por ser o caminho de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste) e como "Velho Chico".

Do seu volume de água, 75% são gerados no estado mineiro e 12% na Bahia, segundo Rômulo de Macedo Vieira.

 

Da Redação

Em São Paulo

Com informações da Agência Brasil

De UOL Últimas Notícias de 23/03/2007.

 

 

Do blog

Apesar de todas as críticas relativas ao programa de transposição das águas do São Francisco a proposta segue em frente.

É uma pena que o governo mais uma vez passou o rolo compressor. Perdeu a oportunidade de fazer de fato uma reflexão sobre a questão analisando profundamente todas as opiniões, em particular as dos especialistas. O principal emprego dessas águas transpostas será para a agricultura de grandes latifundiários. Pouco emprego e renda serão gerados. Mas o impacto aos usos futuros das águas do São Francisco já está garantido. O futuro não é promissor.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 19h07
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Secretário do Meio Ambiente desconhece a Billings

É fato. O governo do Estado desconhece os problemas enfrentados pela Billings. Em entrevista concedida ao Diário quarta-feira, o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, reafirmou que a represa não está entre as prioridades do governo porque não produz água. Informação equivocada, pois não leva em consideração as nascentes naturais das áreas de manancial da região nem dados históricos de conhecimento público. A Billings já produziu, originalmente, 28m³ de água por segundo.

 

Hoje, mesmo com os problemas de erosão, lançamento de esgoto na água e ocupações clandestinas das margens, a represa consegue produzir 12m³. “Ela perdeu mais da metade de sua capacidade, mas ainda bombeia água para a Guarapiranga. O braço do Rio Grande, em São Bernardo, é, inclusive, solicitado em períodos de seca para complementar todos os ecossistemas de São Paulo por sua proximidade com a Serra do Mar”, explica o ambientalista Carlos Bocuhy.

 

Apesar da realidade dos números, Graziano insiste em dizer que as represas necessitam de tratamentos diferentes. “A Guarapiranga é produtora de água e a Billings é, especialmente, um grande reservatório poluído”, disse.

 

O secretário ainda acredita que a recuperação da Billings requer apenas ações fundamentais de despoluição e que as mesmas receberão investimentos da Sabesp e do Banco Mundial. “No caso da Guarapiranga, estamos preocupados com a poluição, mas também com um conjunto de outras ações para proteger a produção de água.”

 

Para isso, o Estado lançou um plano de 22 medidas específicas para a Guarapiranga. Na lista, está a desocupação imediata de 30 mil moradores que vivem em áreas de proteção ambiental, além do fechamento de comércios de material de construção, instalação da Guarda Ambiental e congelamento de assentamentos irregulares.

 

A secretaria considera a área de Parrelheiros, em São Paulo, com a mais preocupante. Ignora, desta forma, as constantes taxas de crescimento populacional notadas em Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires.

 

“A Billings toda – e há muitos que se preocupam com ela, até me criticaram porque falo muito da Guarapiranga e pouco da Billings – receberá as mesmas ações dadas agora à Guarapiranga, numa segunda fase. As estratégias de intervenção serão iguais e levarão em conta, sim, as populações que estão na região de modo incompatível com o uso ambiental”, disse.

 

O secretário completou a entrevista afirmando que a “tragédia na Billings” já foi feita e que, por isso, é preciso consertá-la. Não disse, porém, quando começará a trabalhar, efetivamente, na represa que pede socorro.

 

Por Adriana Ferraz -

Do Diário do Grande ABC - 08.03.2007



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 00h06
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A Terra é um planeta diferenciado porque tem água.

 

Foi a água que deu suporte à vida, foi a vida humana que deu origem à civilização, foi a civilização que deu origem à tecnologia. Só que, em grande parte dos casos, a mesma tecnologia que traz o progresso também traz poluição. A poluição contamina a água, a água contaminada prejudica a natureza e isso modifica as condições do Planeta, atingindo suas formas de vida.

 

Esta exposição mostra como tudo isso acontece, e que é possível usar o nosso conhecimento e tecnologia para recuperar o que já está deteriorado, e continuar gerando desenvolvimento sem modificar o curso da natureza e sem colocar em risco a qualidade da vida em nosso planeta.

 

Outras informações e dowloads de interessantes entrevistas no site do Museu de Ciências da USP.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h01
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Arborização urbana: estudo ou disponibilidade de muda

 

Há mais de vinte anos fiz curso sobre arborização urbana. Lembro-me que uma das primeiras lições foi discutir o uso das espécies, em particular das arbóreas, no passeio público. Todos reconhecem que um flamboyant florido é maravilhoso, desde que numa praça pública com amplos espaços. A mesma árvore na ilha da Avenida Rebouças (São Paulo, Capital) trará transtornos diversos ao fluxo de veículos e provavelmente suas vagens, flores e folhas causarão entupimento nas galerias de águas pluviais. Desta forma, qualquer administrador dos espaços públicos que queira arborizar a cidade, deverá adequar à espécie vegetal ao local que será plantada e aos usos desse local. Não é o que aconteceu na Rua João Moura (bairro de Pinheiros, SP, Capital). A região é densamente povoada o que implica em atender as demandas da população tais como energia elétrica, telefone, canais de TV a cabo, internet e outros serviços, representando um atabalhoado amontoado de fios cortando a rua de um lado a outro e uma densa fiação aérea no sentido Av. Rebouças – Teodoro Sampaio. Nesse cenário de fios e desordem, nossos urbanistas de plantão decidiram ampliar a área verde da região plantando inúmeras árvores. Que pese a boa idéia, mas mal fadado o vegetal escolhido. Raquítico, de fuste ereto e com já cerca de 4 metros de altura, com seus galhos e folhas miúdas em uma copa ainda inexistente, passa em quase 1 metro a altura dos fios. Melhor entendido, as árvores recém plantadas já tocam a fiação aérea, um absurdo. O que imaginar então destas árvores daqui a 10 anos? Sem dúvida, estarão deformadas pela poda rotineira visando preservar os serviços levados pelos fios.

 

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h40
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O espetáculo do crescimento, o programa de aceleração do crescimento e as questões ambientais no Brasil

 

A declaração do presidente Lula considerando as dificuldades relativas às questões ambientais como o motivo para o entrave no desenvolvimento do Brasil e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), são preocupantes do ponto de vista ambiental. Quer que continuemos a explorar nossas riquezas e a produzir emprego e renda tendo os últimos 500 anos como modelo? Quer que os “entraves” legais, relativos à exploração do meio ambiente, criados nesse período e por esse modelo, sejam reduzidos? Que haja “facilitação” para a exploração ambiental e a implementação de empreendimentos de infra-estrutura?

 

Até a presente data, o modelo em curso não permitiu a geração de emprego, renda e infra-estrutura adequados para substancial parcela da população brasileira. Também não proporcionou o “espetáculo do crescimento”. Na verdade, esse modelo não apenas privou a sociedade de um meio ambiente saudável, mas reforça a exploração desenfreada das florestas e riquezas naturais como única alternativa para gerar novos empregos e renda (no curto prazo, por um período restrito e para poucos). Além disso, o passivo ambiental impede o uso futuro da área degradada e dos recursos, como a água e os produtos da floresta, reforçando a posição de explorar novas regiões, mantendo o ciclo de exploração/destruição.

 

O problema da falta de emprego e renda e melhoria da infra-estrutura não passam prioritariamente pela questão ambiental no Brasil. A “facilitação” da exploração do meio, pelo relaxamento das leis ambientais, e a liberação dos fiscais dos órgãos licenciadores da co-responsabilidade, não são soluções. Precisamos de um plano nacional digno do nome para o curtíssimo, médio e longo prazo, debatidos e incorporados por toda sociedade. Desenvolvimento a qualquer preço deve ser coisa do passado.

 

A Lei nº 11.284/2006, aprovada pelo Congresso Nacional em fevereiro de 2006, é apresentada pelo governo federal como marco regulatório para a gestão de florestas públicas no Brasil. No formato que a lei se apresenta permitirá a abertura de novas frentes de exploração das florestas públicas Amazônicas, não garantirá a sustentabilidade no longo prazo e criará novas zonas de conflito. O PAC vem a ser outra vertente dessa mesma política. E o que esperar da regulamentação do artigo 23 da Constituição de 88, como definido no PAC?

 

O uso de nossas riquezas e o crescimento deve ser um espetáculo por ser conduzido à luz da ciência, respeitando os limites do ecossistema. A aceleração do crescimento não pode seguir unicamente compromisso político de curto prazo em detrimento da resiliência do ecossistema. Deve também ser desenvolvido e implementado mecanismo de fiscalização e controle e amplo programa de monitoramento e manejo (fauna, recursos hídricos, solo, macro e microclima, vegetação, populações humanas locais, etc). Programas de monitoramento bem estruturados, baseados em sólidas pesquisas, são fundamentais, permitindo conhecer o status presente e futuro do ecossistema explorado. Neste sentido, o ensino, a pesquisa, a divulgação científica, a formação de recursos humanos no nível universitário e na pós-graduação devem estar integrados numa política nacional que vise formar competências para gerar novas tecnologias e políticas públicas que permitam a sustentabilidade no uso dos recursos. O desrespeito às recomendações técnicas baseadas na pesquisa científica, propiciará o recrudescimento dos problemas ambientais e a não sustentabilidade. Entendendo como sustentabilidade a manutenção de um ecossistema saudável, produtivo, com sua biodiversidade e processos ecológicos intactos, que gere emprego e renda compatíveis ao ecossistema explorado, garantindo a vida com qualidade para as gerações presentes e futuras, sempre. Do contrário, a continuidade da falta de transparência e integração entre os diversos setores da sociedade e do governo, a inexistência de planejamento estratégico direcionando ações, os interesses políticos inconfessáveis e a inexistência de feedback, além de continuar a gerar emprego e renda em níveis inadequados à necessidade nacional, causarão danos irreversíveis e permanentes ao meio ambiente e à qualidade de vida da população brasileira.

 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 13h32
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Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): o meio-ambiente

 

Segundo o PAC, lançado pelo governo federal no dia 22/01, há medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, de redução da arrecadação de impostos e de melhoria do ambiente para investimentos, visando ampliar a meta de crescimento de 5% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre outras questões, como proposta do PAC, a regulamentação do artigo 23 da Constituição, apresentada na integra neste blog, visa definir a competência de Estados, municípios e União sobre proteção ao meio-ambiente. Neste aspecto, a imprensa vem apresentando esta regulamentação como a “facilitação” das licenças ambientais.

Estamos de olho.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h48
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Constituição da República Federativa do Brasil – 1988

D.O. de 05/10/1988.

 

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

 

I. zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público;

II. cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;

III. proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;

IV. impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

V. proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência;

VI. proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;

VII. preservar as florestas, a fauna e a flora;

VIII. fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;

IX. promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;

X. combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos;

XI. registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;

XII. estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.

 

Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h42
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José Serra, Xico Graziano e represa Guarapiranga


Em recente reunião realizada em janeiro de 2007 no Parque Ecológico Guarapiranga, o novo secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Xico Graziano, afirmou que a administração de José Serra pretende tratar os mananciais como prioritários e que em breve apresentará um plano de ações para a região da Guarapiranga, manancial responsável pelo abastecimento de água de quase 4 milhões de paulistanos.

 

De www.socioambiental.org.

 

Opinião do blog

 

A represa Billings está interligada a Guarapiranga pela transposição de suas águas. Além do mais, também há possibilidade de parte da água vertida da Guarapiranga para o rio Pinheiros retornar à Billings pela elevatória de Pedreira. A Billings também interliga a represa Rio das Pedras pelo canal Billings-Pedras, com suas águas posteriormente vertidas para a Baixada Santista, passando pela Usina Hidrelétrica de Henry Boarden e depois pela Estação de Tratamento de Água (ETA) de Cubatão. Estas represas compõem um sistema, compreendendo não apenas a interligação de suas águas mas também as ETAs Cubatão, Rio Grande e Boa Vista, que juntas abastecem mais de 5.000.000 de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo.

Seria conveniente a criação de um Centro de Estudos Ambientais (CEA) único, que estudasse todos os aspectos dessa ampla região, em particular pertinentes à preservação da qualidade e quantidade da água. O CEA deveria contar com representantes de todas as prefeituras e de grande parcela da sociedade (escolas, ONGs, sindicatos, universidades e institutos de pesquisa) incluídas na sua bacia hidrográfica ou por esta servida com água de seus mananciais. Deveria ser um centro de discussões, de tomada de decisão, de fiscalização e manejo, subsidiando políticas públicas. O apóio financeiro viria de parcela do ICMS e de contribuições das empresas estatais que utilizam água para abastecimento público e geração de energia elétrica. As indústrias contribuiriam proporcionalmente à quantidade de água utilizada e esgoto gerado.



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 17h30
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O Relatório do Desenvolvimento Humano deste ano aborda uma questão que influencia profundamente o progresso e o potencial humano em direcção aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Ao longo da História, o progresso humano tem dependido do acesso à água potável e da capacidade das sociedades controlarem o potencial da água enquanto recurso produtivo. A água para a vida no agregado familiar e a água para sustento através da produção são duas das bases para o desenvolvimento humano. No entanto, para uma grande parte da humanidade, essas bases não existem.....

 

Outras informações no site do Relatório do Desenvolvimento Humano 2006: A água para lá da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água

 



Categoria: Bibliografia
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 19h30
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SETAC Europe 17th Annual Meeting

http://www.setaceumeeting.org/porto/

Data: 20 to 25/May/07

Local: Porto, Portugal

We invite you to join us at the SETAC Europe 17th Annual Meeting to be held 20-24 May 2007 at the the Congress and Exhibition Centre in Porto, Portugal. The meeting will focus on the multiple stressors for the environment and human health -present and future challenges and perspectives. The SETAC Annual Meeting is Europe’s leading Environmental Toxicology and Chemistry conference. Representatives from academia, government and industry gather to present and discuss the latest scientific findings and insight’s. Don’t miss it!



Categoria: Evento
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 12h58
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VIII Congresso de Ecologia do Brasil

http://www.viiiceb.org.br/site/

Data: setembro de 2007

Local: Caxambu, MG

O VIII CEB é um evento da SEB - Sociedade de Ecologia do Brasil, organizado pelo Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo. O evento terá lugar na cidade de Caxambu, Minas Gerais, nas dependências do Hotel Glória e Centro de Convenções, no período de setembro de 2007.



Categoria: Evento
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 16h54
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Sociedade de Ecologia do Brasil

 

A Sociedade de Ecologia do Brasil congrega pessoas, sociedades e instituições que atuam em Ecologia e áreas afins. Esta Sociedade mantém intercâmbios com outras Sociedades e Instituições e promove o aperfeiçoamento de profissionais da área. Incentiva, estimula e educa a comunidade, como um todo, em questões ambientais.

 

Estimula a pesquisa científica e suas aplicações. Promove cursos, workshop, congressos e conferências e poderá conceder prêmios.

 

Filie-se.

 

Maiores informações no site da Sociedade de Ecologia do Brasil.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 16h51
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Rio Pinheiros: Despoluir é sempre complicado

De Yeda S. Santos

 

"A exemplo do que aconteceu com rios de outros países, a situação do Pinheiros é complexa. O bombeamento da água para a represa Billings pode comprometer o abastecimento da população."

 

Leia as opiniões dos Profs. Drs. José Galízia Tundisi e Aldo Rebouças sobre os problemas e soluções para as represas Billings e Guarapiranga.

 

Link: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2001/jusp556/caderno/especial08.html




Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 17h24
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Metais pesados na Billings

 

Metais pesados na Billings ultrapassam nível máximo

Billings está lotada de metal pesado

Metais pesados estão acima do limite na Billings

Concentração de metais pesados na Billings está 102 vezes acima do recomendado

 

Observação:

O trabalho base para estas matérias, foi desenvolvido pela Bióloga Carolina Fiorillo Mariani para a obtenção do título de mestre no Programa de Pós-Graduação em Ecologia (Depto de Ecologia, IB-USP). Orientado pelo Prof. Marcelo Pompêo e financiado pela Fapesp, novos trabalhos em elaboração com ênfase nos metais, permitirão discutir a escala temporal no monitoramento da qualidade da água e do sedimento.

A importância dos metais na avaliação da qualidade da água para consumo humano é definida pela Resolução CONAMA 357/05, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, p.ex, estabelecendo os seguintes níveis máximos:

 

Classe 1: Cádmio total- 0,001mg/L; Chumbo total- 0,01mg/L; Cobre dissolvido- 0,009mg/L; Cromo total- 0,05 mg/L; e

 

Classe 3: Cádmio total- 0,01mg/L; Chumbo total- 0,033mg/L; Cobre dissolvido- 0,013mg/L; Cromo total- 0,05mg/L.

 

Outros links sobre metais pesados:

Toxicologia dos metais pesados

Cadmium Compounds

A Modeling and Experimental Investigation of Metal Release from Contaminated Sediments

Estableciendo estándares para agua potable segura

Monitoring Water Quality: Volunteer Monitoring

The Volunteer Monitor

Volunteer Monitoring



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 06h00
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Histórias de Cubatão: Billings e Henry Borden

 

No site a seguir é apresentada interessante histórico sobre a represa Guarapiranga, Billings e a Usina Hidrelétrica de Henry Borden, vela a pena conferir.

http://www.novomilenio.inf.br/cubatao/clendasnm.htm

 



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 18h50
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Qual é o preço da represa Billings?

 

Por Adriana Ferraz

Do Diário do Grande ABC – 14/10/2006.

 

Uma tendência mundial pode apontar a solução para a preservação da área de mananciais que envolve a represa Billings. Professores da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) trabalham em um projeto que visa medir, em reais, qual a valor das melhorias proporcionadas pela manutenção das condições originais da floresta.

 

Leia a interessante matéria na integra no site a seguir:

http://home.dgabc.com.br/materia.asp?materia=554536.



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h35
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Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h31
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Publicação sobre a represa Guarapiranga

A Guarapiranga, o segundo manancial mais importante da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), encontra-se seriamente ameaçada pela ocupação urbana desordenada e poluição de suas águas. Responsável pelo abastecimento da parte sudoeste do município de São Paulo, abrange quase 4 milhões de pessoas. O estudo Guarapiranga 2005 - Diagnóstico Socioambiental Participativo produzido pelo ISA, que atualizou dados de 1996, concluiu que a ausência de saneamento, o crescimento urbano e de atividades humanas são responsáveis pelo comprometimento de mais da metade da bacia hidrográfica.

 

De autoria do Instituto Sócioambiental (ISA)

 

Clique aqui para ler o estudo na íntegra.  



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 00h02
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Publicação sobre a represa Billings

 

Seminário Billings 2002: avaliação e identificação de áreas e ações prioritárias para a conservação, recuperação e uso sustentável da Bacia Hidrográfica da Billings.

 

O evento, que reuniu 193 especialistas no assunto, contou com importantes parcerias e teve como resultado um conjunto de ações e recomendações para a manutenção deste importante manancial.

 

De autoria do Instituto Sócioambiental (ISA).


Disponível para download

 



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h53
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Publicação sobre a represa Billings

 

Billings 2000: Ameaças e perspectivas para o maior reservatório de água da Região Metropolitana de São Paulo.

 

Esta publicação traz os principais resultados do Diagnóstico Socioambiental Participativo da Bacia Hidrográfica Billings, iniciado em 1999.

 

De autoria do Instituto Sócioambiental (ISA).


Disponível para download

 



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 23h49
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O assunto é... Billings

Um dos maiores mananciais do Estado e dos mais importantes da Região Metropolitana de São Paulo, a represa Billings é fonte de água potável para 1,6 milhões de habitantes do Grande ABC, por meio do sistema Rio Grande de abastecimento da Sabesp. Mesmo com tamanha relevância, o que a torna estratégica do ponto de vista hidríco, a represa recebe carga diária de esgoto proveniente de 200 mil casas.

            Estudo do Instituto Socioambiental divulgado em 2002 mostrou que em 10 anos (1989-1999) trechos do reservatório tiveram a qualidade da água comprometida em até 1.000%  Reverter um processo de degradação da Billings crescente e contínuo, que conjuga questões habitacionais, urbanísticas e ambientais é um dos desafios do futuro governador de São Paulo.

 

Promessa de José Serra (PSDB)

“O processo de despoluição da Billings é um projeto de longo prazo. Vamos dar continuidade e fortalecer a fiscalização e conservação. A Sabesp já está trabalhando na transferência dos esgotos gerados em uma parte das margens Billings para o sistema Barueri. Estão sendo construídos mais de 400 quilômetros de redes coletoras para que estes esgotos cheguem à ETE Barueri. Além disso, está sendo feito o sistema de interceptação Pinheiros, com mais de 30 quilômetros e suas duas grandes elevatórias. Nessas obras estão sendo investidos mais de R$ 270 milhões, que retirarão mais de 400 litros/segundo de esgotos, que hoje contaminam a represa. O apoio e o trabalho das prefeituras é peça fundamental neste processo e vamos continuar fortalecendo esse trabalho de parceria.”

 

Promessa de Aloizio Mercadante (PT)

“Despoluir a represa Billings significa tratar os esgotos produzidos e coletados. Esse manancial tem um agravante, que é a intensa ocupação desordenada e que só aumentou nos últimos anos. Para diminuir a poluição desse importante manancial vamos finalizar o coletor-tronco Rio Grande que tratará em torno de 200 litros por segundo e beneficiará uma população de cerca de 120 mil habitantes de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires. Vamos agilizar o Programa de Recuperação dos Mananciais Metropolitanos, que contará com mais de R$ 1 bilhão de financiamento do Bird e que terá cerca de R$ 500 milhões só para a Billings. Além disso, apoiaremos iniciativas como a de Diadema que, com a construção do coletor-tronco do Eldorado, também contribui para a despoluição do manancial.”

 

Promessa de Orestes Quércia (PMDB)

“Quanto à Billings, temos de efetivamente cuidar da sua recuperação ambiental e protegê-la da contaminação que os últimos governos permitiram.”

 

Modificado de Leandro Laranjeira, Nicolas Tamasauskas e Sergio Vieira - DIÁRIO DO GRANDE ABC - 05/09/2006



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 13h59
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Metais pesados estão acima do limite na Billings

 

Por Aline Moraes

nine.moraes@gmail.com
28/08/2006

 

São Paulo (AUN - USP) - A concentração de metais pesados no fundo de uma parte da Represa Billings está, em média, 102 vezes superior ao nível máximo recomendado. Dentre essas substâncias contaminantes, destaca-se o cobre. “A quantidade desse metal supera em muitas vezes a indicada pelo Conselho Canadense do Ministério do Meio Ambiente (CCME)”, afirma Carolina Fiorillo Mariani.

A bióloga avaliou a presença desse e de mais cinco metais pesados (cádimo, zinco, chumbo, níquel e cromo) nos sedimentos do Reservatório do Rio Grande, que faz parte do Complexo Billings. “Os sedimentos funcionam como um compartimento de registro histórico do que acontece no local”, explica.

 

Outras informações podem ser obtidas no link a seguir:

http://noticias.usp.br/acontece/obterNoticia?codntc=14056



Categoria: Billings_Guarapiranga
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 21h24
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Evo Morales anuncia "nacionalização" de reservas florestais na Bolívia

 

O presidente socialista Evo Morales anunciou neste sábado o início da "nacionalização" de todas as reservas florestais da Bolívia e um plano "para afirmar a soberania sobre estas regiões e todas as fronteiras do país".

 

Morales fez esse anúncio no parque Madidi, situado ao noroeste de Bolívia e fronteiriço ao Peru, considerada uma das áreas protegidas com maior biodiversidade do mundo.

 

"Estamos aqui na fronteira com o Peru para afirmar a soberania sobre nosso território para começar desde hoje a defender o território nacional, a defender a dignidade nacional, a defender nossos recursos naturais", afirmou, sem detalhar as medidas jurídicas que seu governo vai assumir com esse propósito.

 

A imprensa local havia antecipado que Morales anunciaria um decreto de nacionalização, para reverter ao Estado as concessões para a exploração do petróleo, gás, madeira, ouro e outros recursos naturais outorgados para empresas multinacionais presentes no território.

 

Segundo a Agência Boliviana de Informação, a nacionalização do Madidi é parte de um grande plano de recuperação e proteção das reservas florestais, exploradas nas zonas limítrofes por habitantes dos países vizinhos.

 

De France Presse, em La Paz - 26/08/2006 - 19h50

Folha de São Paulo, Mundo

 

Comentário do blog: E o Brasil o que tem feito para garantir a soberania de nosso território? A agenda nacional reflete os interesses locais ou está mais carregada com interesses “difusos” e de pouca representatividade nacional? Em outras palavras, nós brasileiros ditamos as regras ou acatamos o que vem de fora?



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 22h53
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XI Congresso Brasileiro de Limnologia

http://www.sblimno.org.br/XICBL/index.htm

Data: 22/08/2007 - Hora: 31/08/2007

Local: Macaé, Rio de Janeiro, Brasil

A programação do congresso será definida após 15 de outubro de 2006. Até lá uma comissão científica juntamente com toda a comunidade científica, através de sugestões, decidirá a temática das oficinas e mesas redondas, bem como os palestrantes a serem convidados. Desta forma, os sócios da SBL estão convidados a contribuir com sugestões quanto à programação científica sobre todos os aspectos: Palestrantes; Mesas Redondas; Oficinas e demais atividades. Estas sugestões podem ser encaminhas por e-mail para o endereço: xicbl@sblimno.org.br.



Categoria: Evento
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 18h35
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30th Congress of the International Society of Limnology

http://www.sil2007.org/

Data: 12/08/2007 - Hora: 18/08/2007

Local: Montreal - Canadá

WORDS OF WELCOME

On behalf of the local Organizing Committee of SIL 2007, I am pleased to invite you to the 30th Congress of the International Society of Limnology. From the 12th to 18th of August 2007, Montréal will be the host of what will be one of the largest gatherings of freshwater scientists from around the globe. In its first return to North America in over 30 years, we are making every effort to make the Montréal SIL Congress a most exciting scientific conference, linking cutting-edge research with the important applied problems the world’s freshwaters currently face. SIL 2007 will also be an opportunity for you to discover Montréal, a city itself surrounded by the majestic freshwaters of the St-Lawrence River. Renowned for its cultural life and gastronomy, Montréal is also stimulating, safe and affordable. Come and see for yourself and combine science and fun by signing up for SIL 2007.

À bientôt!

Yves Prairie, Chair of the organizing committee



Categoria: Evento
Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 18h31
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PANTANAL, UM MUNDO A SALVAR

Um duro golpe: no ano passado, os maiores projetos de preservação foram paralizados

Um estudo divulgado no final do ano passado pela ONG ambientalista americana Conservação Internacional chegou à conclusão de que 17% da vegetação original do Pantanal brasileiro já foi posta abaixo. O fato mais alarmante, porém, é que o ritmo de desmatamento aumentou cinco vezes em relação à década passada. Hoje a região perde mais de 3 milhões de hectares - ou 2,3% de sua área - por ano. Se nada mudar, nosso Pantanal pode desaparecer em 45 anos. Tudo se torna mais dramático quando se descobre que apenas 4,5% da região tem algum tipo de proteção, seja pública, seja particular. Isso inclui um único parque nacional, o do Pantanal Mato-Grossense A conseqüência direta do desmatamento é o assoreamento dos rios. Sem árvores, o solo fica mais exposto à erosão e desliza em direção aos cursos-d'água pantaneiros. O sedimento torna o leito mais raso e, como estamos no Pantanal, na época das cheias a área de inundação é ainda maior. A longo prazo, porém, os rios vão se enchendo de terra até secarem de vez.

Outras informações podem ser obtidas no link a seguir: Pantanal, um mundo a salvar. 



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 03h05
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Carta da Guarapiranga - Água boa para os próximos 100 anos da represa

Nos dias 30 e 31 de maio e 1 de junho de 2006, reuniram-se no Solo Sagrado de Guarapiranga, 162 representantes de diferentes instituições para participar do Seminário Guarapiranga 2006. O objetivo do seminário foi propor ações, internas e externas à bacia, para viabilizar a Guarapiranga como manancial produtor de água de boa qualidade e a sua implementação por meio de compromissos com gestores públicos e demais atores sociais.

Considerando que:

• A água é um bem comum e o acesso a ela é um direito que deve ser assegurado a todos;

• A represa Guarapiranga completa neste ano seu primeiro centenário como uma das principais fontes de água para 3,7 milhões de moradores da Região Metropolitana de São Paulo;

• A Bacia Hidrográfica da Guarapiranga ocupa uma área de mais de 630 Km² e abrange os municípios de Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Juquitiba, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra e São Paulo;

• A metade de sua bacia hidrográfica está alterada por usos humanos, muitas vezes de forma a comprometer a produção e fluxo de água em suas nascentes, córregos e rios;

• A urbanização de boa parte da bacia provoca um aumento grave na poluição direta despejada nos cursos da água e na própria represa e compromete diretamente a qualidade de vida da população residente na região;

• A atual situação de degradação ambiental é decorrente da prevalência de interesses econômicos e privados sobre os públicos, acarretando em perda de patrimônio comum.

Os integrantes do poder público, sociedade civil organizada, universidades, movimentos sociais, clubes, empresários, e moradores da região e demais consumidores de água da Guarapiranga presentes no Seminário, decidiram se unir de maneira ativa para a recuperação e preservação de sua Bacia Hidrográfica, guiados pelos seguintes princípios:

• Todas as ações, programas e projetos a serem desenvolvidos na região devem pautar-se por princípios de ética, transparência, universalização e compartilhamento das informações e do conhecimento, e ampla participação da sociedade;

• A Bacia Hidrográfica da Guarapiranga, que presta importante serviço ambiental de produção e purificação de água, estratégico para a sobrevivência na RMSP, deve ter suas funções garantidas e melhoradas, de forma a não colocar em risco a saúde e a qualidade de vida da população;

• As ações do poder público e do setor privado não podem colocar em risco os serviços ambientais prestados pela Bacia da Guarapiranga e o direito de acesso à água.

Estes princípios pautam as seguintes estratégias assumidas pelos atores aqui reunidos, nas suas respectivas esferas de atuação e responsabilidade:

• Prover aos moradores da região serviços de saneamento adequados, incluindo abastecimento de água, sistemas alternativos de drenagem, coleta, afastamento e tratamento de esgotos e gestão integrada de resíduos sólidos no território da RMSP, para garantir qualidade de vida e não ameaçar a qualidade do manancial;

• Valorizar os serviços ambientais de forma a criar um fluxo de recursos financeiros permanentes para sua manutenção, envolvendo o público consumidor neste processo;

• Incentivar as atividades compatíveis com a produção de água, para envolvimento e sustentação das comunidades que vivem na região e para prover a RMSP de outros serviços como os ligados ao lazer, turismo, agricultura urbana e peri-urbana, manejo florestal e agro-florestal;

• Fomentar ações educativas, formais e não formais, que tenham no conteúdo temas ligados a questões ambientais, em particular à água;

• Efetivar o processo participativo de gestão das áreas de mananciais como condição para viabilizar a produção de água de boa qualidade, buscando prioritariamente soluções locais;

• Rever a ação pública nesse âmbito de forma a garantir o compartilhamento dos instrumentos, informações e ações para a tomada de decisão;

• Articular as políticas para reverter e evitar investimentos e ações promotores ou indutores de degradação dessas áreas;

• Reorientar o crescimento da RMSP para áreas já dotadas de condições urbanas e infra-estrutura, que vêm perdendo população para as áreas periféricas;

• Exigir ações governamentais de controle de indução à ocupação e compensações permanentes proporcionais aos impactos que o Rodoanel já está gerando na região.

Essas estratégias se materializam no conjunto de 63 ações propostas pelos participantes do Seminário Guarapiranga 2006 para viabilizar a represa como produtora de água de boa qualidade para os próximos 100 anos.

São Paulo, 1 de junho de 2006.



Escrito por Laboratório de Limnologia -USP às 18h36
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